Fernando Manuel Oliveira Pinto | poema #06



MARIA DO MAR

Maria,
sempre que o coração lhe pedia,
fugia,              a sete pés,
para junto do mar.

Ficava maravilhada
com o cavalgar das ondas,
com a coreografia dos revérberos,
com os matizes dos céus crepusculares...

Seus olhitos, seixos redondos,
pulavam pela praia pejada de pessoas
e piscavam como estrelas
brincando na poalha cósmica.

Poema de Fernando M. Oliveira Pinto

Fernando Manuel Oliveira Pinto | poema #05


LUA DA TARDE
 
Céu cerúleo, 

e uma mancha branca, 
a lua da tarde, 
num dos cantos da paisagem... 
E uma nuvem, 
surgida do nada,
                        

           e  s  p  r  e  g  u  i  ç  a  n  d  o  -  s  e,
 

como que a sublinhá-la.

Poema de Fernando M. Oliveira Pinto

Fernando Manuel Oliveira Pinto | poema #04


MAR DA MANHÃ

Um véu,
de um cinza azulado,
cobre o oceano.
Nada vejo. Oiço
apenas o pio desconsolado
de uma gaivota.

Descobre o céu...
E minh'alma estremece
com o marulhar do mar da manhã.

Poema de Fernando M. Oliveira Pinto

Fernando Manuel Oliveira Pinto | poema #03


À SOMBRA DA JAPONEIRA

Por ter perseguido o voo
atrevido de um pássaro – mérula,
ave de plumagem cor da noite
com um risco de sol no bico –,
o olhar do poeta repousou, por fim,
à sombra de uma jovem japoneira
plantada por dona Amélia, fiel
jardineira de um velho aristocrata.

Da “árvore das folhas brilhantes”
tombou no solo húmido e ácido
a camélia branca, beleza perfeita,
de semblante plácido, sem idade.

Dama exótica, elegante, sem cheiro,
a rosa-do-japão é a flor da fidelidade.
Disse-mo, há pouco, o poeta jardineiro

Poema de Fernando M. Oliveira Pinto

Fernando Manuel Oliveira Pinto | poema #02


AVIÕES DE PAPEL

Há quanto tempo não me lês
um bom livro? Logo tu,
que os folheavas até ao fim
e depois os desfolhavas
até ao princípio... Com as folhas
arrancadas fazias aviões que planavam
todos cheios de prosa, vaidosos,
antes de aterrarem, silenciosamente,
no roseiral da casa da vizinha.

— Como vês, as minhas mãos
voltaram a cheirar a pétalas de rosa.

Poema de Fernando M. Oliveira Pinto

Fernando Manuel Oliveira Pinto | poema #01


A COR DOS BÚZIOS

— Mãe, 
de que cor são os búzios
pequeninos,
aqueles que guardam os segredos
dos meninos como eu?...

— Mãe, 
de que cor são os búzios
enormes,
aqueles que revelam os segredos
das pessoas grandes
como tu?...

— Amor meu...
Uns são da cor do mar
e outros da cor da terra
quando acorda a chorar.
Agora dorme...
Anoiteceu.

Poema de Fernando M. Oliveira Pinto

Capa do livro "Mar e outros poemas", de Fernando Pinto



Lanço este blogue em 21 de março de 2017,
"Dia Mundial da Poesia".

Neste meu cantinho vão poder ler alguns versos da minha autoria.
Obrigado pelos vossos comentário!

O meu livro "MAR e outros poemas" pode ser adquirido
em Ovar, minha terra natal, nos seguintes locais:

Biblioteca Municipal de Ovar
(Rua Arquitecto Januário Godinho)

Museu de Ovar 
(Rua Heliodoro Salgado, perto da Câmara Municipal)

Se preferirem, podem entrar em contacto comigo. 
Deixo-lhes o meu e-mail para poderem encomendar este meu livro: